O apocalipse, quem diria, pode ser bom

História Viva acaba de lançar, em bancas e livrarias, uma edição extra, Religião – 50 mentiras que contaram para você. Só existe na versão pocket, entre outras coisas, para tornar seu preço acessível a um maior número de pessoas (68 páginas a R$ 8,90).

A revista é um deleite. Em qualquer página que se abre, há uma abordagem interessante, uma visão de estudiosos a desmascarar interpretações erradas, preconceitos e criações (eruditas ou populares) que não têm correspondência com as escrituras ou a própria história.

Idéias pré-concebidas – e falsas – sobre o judaísmo, o cristianismo, o islamismo e o budismo vão sendo expostas, com muita precisão e a leveza possível. E, como é irresistível quando se folheia publicações desse tipo, com apenas um texto por página, a leitura se dá de forma salteada, sem ordem, pautada pelo acaso e pelo prazer.

Acabo de folhear meu exemplar. Abri aleatoriamente na página 21, que traz a seguinte afirmação no título: “Apocalipse significa catástrofe”. Em seguida, há um carimbo: “Falso!”

Como assim falso? Com que então, depois de uma longa vida processando na mente, é verdade que em segundo plano, o temor de um juízo final feito de desastres de água e fogo, de guerra, fome, miséria e doença, descubro que a “apocalipse” não vem da palavra grega apokalupsis, ou seja, cataclismo. Apocalipse significa, no mesmo grego, “descobrimento”, “revelação”. Muito melhor.

O exercício continua. Mais uma página aberta sem compromisso. Agora é a 37, que se refere ao judaísmo. “Eva foi a primeira mulher”. E de novo o carimbo: “Falso!” Antes de Eva, que sempre pareceu tão do bem para carregar todo o pecado do mundo, havia Lilith, a primeira esposa de Adão. Um demônio essa Lilith – a verdadeira responsável pela história do fruto proibido. Muito melhor assim.

por Liliana Pinheiro

 

[ ver mensagens anteriores ]