O poder da velha “língua pátria”

O jornal O Estado de S. Paulo publicou na última segunda-feira (21/9) uma emblemática reportagem: os governos de países da ex-União Soviética estão rebaixando o idioma russo e estimulando o uso de suas línguas originais.

O diário dá como exemplo a Ucrânia: “Num canto da livraria Bukvatoriya, localizada nesta capital da península da Crimeia, há estantes repletas de obras literárias tão provocativas para o Kremlin quanto um batalhão de soldados da Otan. Os livros são clássicos - de autoria de Oscar Wilde, Victor Hugo, Mark Twain e Shakespeare - que foram traduzidos para o ucraniano, em edições destinadas ao público adolescente. Um Harry Potter que lança feitiços em ucraniano também está presente nas prateleiras.”

Na origem da iniciativa ucraniana há razões políticas – deixar no passado a obrigatória orientação de Moscou nos assuntos internos do país. O mesmo fenômeno está em curso em quase todo o ex-bloco soviético. Já a aceitação popular tem razões mais complexas do que a política, como a necessidade de regatar a identidade nacional, que pela força foi mitigada nos tempos da Guerra Fria.

“O russo é um dos poucos grandes idiomas a perder adeptos e, segundo estimativas, o total de pessoas fluentes no russo cairá para 150 milhões até 2025, um grande declínio em relação aos 300 milhões de versados no russo que havia em 1990, um ano antes do colapso soviético”, segue o Estadão.

Os fatos expostos na reportagem dão o que pensar. Especialmente em um Brasil em que muitos sites, blogs e mesmo colunistas de jornais e revistas impressos não se dão nem mais ao trabalho de traduzir para o português as citações em outros idiomas que fazem em seus textos. Alguns simplesmente fazem de conta que o país é bilíngüe e consideram qualquer reclamação um libelo antiglobalização ou expressão de minoria remanescente dos idos tempos em que havia uma disciplina nas escolas públicas chamada “Língua Pátria”.

Não se trata de defender nacionalismos tolos, mas um pouco de apreço pela língua e, principalmente, de respeito pela maioria cairia bem aos escrevinhadores brasileiros. 

Para ler a reportagem completa:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,idioma-russo-entra-em-declinio-na-antiga-urss,438381,0.htm

Por Liliana Pinheiro

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