Mengele fez experimentos com fertilidade em cidade do Rio Grande do Sul?
O jornal inglês Telegraph publicou ontem que o médico nazista Josef Mengele poderia ser o responsável pelo alto número de gêmeos na pequena cidade de Candido Godoi, no interior do Rio Grande do Sul. A tese é do historiador argentino Jorge Camarasa, autor do livro, Mengele: the Angel of Death in South América, estudioso da fuga de nazistas para a América do Sul.
Mengele fez experiências no campo de concentração de Auschwitz, antes de fugir da Europa, e estudava justamente o que causava o nascimento de gêmeos. O objetivo da pesquisa era aumentar a taxa de fertilidade da Alemanha nazista. O corpo de Mengele foi localizado em São Paulo no fim da década de 1980.
Camarasa conversou com a população de Candido Godoi, a maioria de descendência germânica, e muitos contaram que um educado alemão que se apresentava como Rudolph Weiss, e era especialista em reprodução, passou pela cidade na década de 1960, pouco antes do surgimento dos gêmeos em série. Este homem, que muitos na cidade acreditam que era Mengele, atendeu mulheres, acompanhou gestações e as prescreveu medicação. Há uma ocorrência de gêmeos a cada cinco nascimentos em Candido Godoi, bem superior à média de um nascimento de gêmeos a cada 80 partos.
A fantástica história da passagem do médico nazista lembra a do filme Meninos do Brasil (Boys from Brazil, 1978), no qual refugiados nazistas tentam gerar clones de Hitler na América do Sul. (abaixo, o trailer do filme)
A matéria do Telegraph pode ser lida na íntegra (em inglês) clicando aqui.

por José Chrispiniano

Ideais e slogans
O texto abaixo, do publicitário Rodrigo Leão, saiu hoje no jornal gratuito Metro. Achamos aqui na redação que seria legal compartilhar esta interessante reflexão sobre lutas políticas e slogans de propaganda.


"A melhor campanha publicitária da história
Não. Eu não vou falar da campanha eleitoral que levou Barack Obama à presidência dos EUA. Vou falar de outra: a melhor campanha de publicidade de todos os tempos. A campanha para convencer o mundo inteiro de que todo ser humano é igual e tem direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Um conceito tão vendedor que desde a Declaração da Independência dos EUA, em 4 de julho 1776, vem servindo de motor à expansão da única superpotência do planeta."


O resto do texto pode ser lido na edição de 22 de janeiro do jornal Metro, disponível em pdf no site da publicação: www.metropoint.com

por José Chrispiniano

Histórico?

 

Ontem foi um dia que parecia ter consciência de sua própria importância. Um dia que olhava para si mesmo no espelho e se via histórico, com dois milhões de testemunhas ao vivo em Washington e bilhões de outras pelas TVs, para comprovar.
Mas como este dia marcará a história, dependerá de como as palavras de posse de Obama se traduzirão em atos e, também, de acontecimentos que estão além do controle mesmo do mais poderoso governo do mundo.
Ontem, o presente lançou sua esperança no futuro. Como o futuro verá este passado, segue uma questão tão aberta quanto o que será o amanhã.
E você, o que achou? Estamos vendo a história se desenrolar diante de nossos olhos?
Por José Chrispiniano

Libertem Charlie!
Uma bizarra requisição de um pequeno grupo de seguidores da religião druida iniciou uma disputa na Inglaterra que já se estende por dois anos.
Seguidores atuais dos antigos celtas querem que o Museu Alexander Keiller, em Avebury, devolva "Charlie", um esqueleto de 4 mil anos. O grupo, intitulado Conselho das Ordens Druidas Britânicas, alega que Charlie é seu "ancestral tribal", e que merece ser enterrado de acordo com os ritos druídas. "Charlie", o nome que o esqueleto recebeu no museu, seria, segundo o grupo, "Gavião", membro da Ordem de Sidhe, e os atuais druidas seus descentes diretos.
Para embasar a reclamação, os seguidores dessa fé estão utilizando legislação promulgada por Tony Blair, para facilitar a devolução de materiais indígenas dos museus ingleses para comunidades tradicionais em outros países.
O English Heritage e o The National Trust, duas entidades que cuidam do patrimônio histórico inglês, estão analisando a reclamação e devem emitir um parecer até o fim de 2009. Eles já permitiram que os druidas modernos conduzissem duas "sessões de cura" sobre os restos do seu ancestral.
Nem todos, porém, apóiam o pedido. Uma facção ainda mais radical, liderada por um homem que clama ser a reencarnação do rei Arthur, defende o fim de todas as escavações arqueológicas na Bretanha. Como será que ele se sentiria se lhe dissessem que o rei Arthur é uma lenda? (veja mais sobre Arthur na Historia Viva nº 55)

por José Chrispiniano

As edificações de memórias dolorosas
Em São Paulo, o antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS), que já funciona hoje como um centro cultural, será "reinaugurado" no dia 24 deste mês, próximo sábado, com um novo nome: Memorial da Resistência. A mudança marca um novo projeto museológico e uma maneira diferente de lidar com o que de terrível aconteceu lá dentro.
O prédio tinha sido descaracterizado, com a destruição de duas celas e do "fundão", a área de solitárias que havia no fundo do edifício. As paredes com inscrições de várias gerações de presos políticos de diferentes ditaduras foram raspadas. O lugar recebeu o novo nome, talvez por ironia, talvez para simbolizar um novo período, de "Memorial da Liberdade". Mas essa é a melhor maneira de encarar a história? O Fórum Permanente dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo iniciou uma campanha para a reconstituição do local como marco de luta contra as ditaduras, e a mudança do nome.
O governo estadual aceitou a proposta. Houve uma reforma para recuperar o que fosse possível do antigo aspecto do local. Vários equipamentos áudios-visuais oferecem informações sobre o espaço e contam as barbaridades ali cometidas. Há depoimentos de pessoas que foram presas pelos DEOPS, e uma cela foi reconstituída.
O espaço, com a nova orientação, pretende promover ao longo do ano diversas atividades, para lembrar de datas como: os 30 anos da Lei da Anistia; os 40 anos da morte de Carlos Marighella; os 40 anos da morte do Almirante Negro, João Candido; os 45 anos do Golpe de 1964; e os 40 anos da criação da infame OBAN.
A cerimônia de abertura do Memorial da Resistência será sábado, dia 24 de janeiro, às 11 horas, no Largo General Osório, 66, em São Paulo.
por José Chrispiniano

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